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Investimento em prevenção ainda é tímido

Apesar de a lógica sugerir que os programas de prevenção para pacientes crônicos - que representam cerca de 70% do custo da carteira dos planos de saúde - podem ajudar as operadoras a reduzir as despesas, poucas têm ações efetivas nesse sentido.

Dos 1.060 convênios em atividades no país, apenas 80 têm programas aprovados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Um número ainda menor de planos de saúde sabe exatamente quanto economiza com os programas devido à dificuldade para se mensurar esse tipo de serviço, cujo resultado varia conforme o perfil do paciente.

Ainda assim, há exemplos de operadoras que investem em programas de prevenção e têm conseguido reduzir despesas. Esse tipo de programa, que a agência coloca na categoria de "atenção à saude", valem 50% na nota que a ANS dá a cada plano, para elaborar o ranking do setor.

O desempenho financeiro, por sua vez, vale 30%. Pioneira nesse tipo de ação, a Intermédica acompanha 46 mil portadores de doenças crônicas. "Investimos cerca de R$ 2 milhões por mês em programas realizados nos nossos três centros de atendimento próprios", disse Pedro Onofre, diretor médico da Intermédica, que criou seu primeiro programa em 1982.

Somente com os pacientes crônicos, a economia mensal chega a R$ 4 milhões. A Intermédica, fundada pelo médico Paulo Barbanti, acompanha outros 50 mil beneficiários com potencial para ter algum problema, como as gestantes.

A Unimed-Rio calcula economizar R$ 3,5 milhões por mês com os programas. A cooperativa carioca está investindo R$ 3 milhões na criação de espaços específicos para atender pacientes com doenças crônicas, terminais ou idosos, que serão abertos este ano.

"A população está envelhecendo e as novas modalidades de tecnologia encarecem cada vez mais os tratamentos. Para tornar o negócio viável, temos que melhorar o modelo e investir em saúde", disse Carlos Alberto Chiesa, gerente geral de Recursos Próprios da Unimed-Rio.

A carioca Golden Cross acompanha 7,2 mil pacientes e a meta é aumentar esse número para 10 mil até o fim do ano. "Há quatro anos fazemos uma comparação com os pacientes que concordam em participar contra os que não concordam.

Nossa economia final média é de 23%", explicou Franklin Padrão, diretor técnico da Golden Cross. Ele explica que, nos clientes que são beneficiados pelo serviço, o número de consultas sobe 23% e o de exames 12%.

No entanto, os pequenos atendimentos caem em 32% e as internações em 58%. Ao todo, a empresa investe R$ 5,2 milhões por ano no programa. "Os programas também servem como ferramenta para atrair e reter clientes, representam um valor agregado ao cliente", disse Mauricio Amaral, presidente da Care Plus.

A operadora voltada para o público premium investe R$ 1,7 milhão nos programas por ano. Apesar de representar 70% dos gastos da carteira, o percentual de beneficiários acompanhados pelos programas de prevenção não ultrapassa os 3% do número de beneficiários, segundo as empresas ouvidas pelo Valor. "O ideal é acompanhar de 1% a 2% dos crônicos, uma vez que esse percentual são os casos mais agudos que geram maior economia.

Acima disso, a economia não compensa os custos do programa", explicou Paulo Hirai, da consultoria de saúde SantéCorp.
Grandes grupos de saúde como Amilpar, Bradesco Saúde e SulAmérica - que juntas têm mais de 10 milhões de beneficiários - não revelaram os resultados obtidos com os programas.

Um dos entraves para que os programas de prevenção deslanchem é o retorno de longo prazo e o fato de muitas pessoas mudarem de planos de saúde, devido à troca de emprego ou aumento no preço do convênio. E a mudança pode ocorrer justamente quando o serviço de prevenção começa a dar resultados.

Em países de economia avançada, programas de prevenção de pacientes crônicos já estão consolidados. Pesquisa da consultoria Towers Watson, realizada com 170 seguradoras de saúde em 37 países (incluído o Brasil) mostra que em economias desenvolvidas 26% das seguradoras fazem acompanhamento de pacientes crônicos. Nos emergentes essa fatia é de 53%.

A fatia nos países ricos é menor pois eles já estão numa segunda fase de programas de prevenção. Agora, fazem acompanhamento psicológico, por exemplo, diz Ricardo Lobão, consultor da Towers Watson.

Nos países desenvolvidos, 60% das seguradoras ouvidas pela consultoria, fazem acompanhamento psicológico em pacientes crônicos. Nos emergentes, são 38%.

Fonte: Valor Online – 16/02/11

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