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Glosa: ruim com ela - pior sem ela !

Quando inicia o ano sempre vem a discussão os reajustes das tabelas de preços nos hospitais.

A discussão é oportuna, mas poucos hospitais têm consciência do que é o produto saúde, e se perdem tentando elevar os preços acima da realidade ... e acabam sucumbindo em negociações que não levam a nada e, principalmente, elevam o nível de glosas.

Ainda existe o vício de se tentar aumentar o resultado hospitalar elevando o valor da CH, ou aplicando um reajuste ‘flat’ em todos os itens das tabelas negociadas – um grande erro !

Se analisarmos o preço de um microcomputador como exemplo: faz muito tempo que ele custa em torno de US$ 1.000 no mercado mundial. Além de não reajustar o preço, os computadores que compramos hoje pelo mesmo valor de antes são mais potentes, e trazem muito mais acessórios do que os anteriores. É só lembrar que um computador básico antes tinha um ‘drive de disquete’, e hoje tem algumas portas USB, conexão para a Internet, gravadora de DVD, microfone, câmera, e ... muito mais componentes do que antes.

Além do preço não ter sido reajustado, para manter o preço do computador no mesmo nível os fabricantes são obrigados a inserir vários itens de série, senão o preço tem que cair ao invés de aumentar – isso acontece com carros e todo o tipo de produto, e não pode ser diferente na saúde.

A AMB fixou o preço de um hemograma em 1990. Já faz 20 anos que este preço foi fixado !

A pergunta é: para o cliente qual a diferença do produto hemograma entregue naquela época e hoje ? Nenhuma !

Então o que justifica o reajuste de preços ? Nada !

Quem está comprando hoje está comprando exatamente o mesmo hemograma que comprava no século passado, sem nada agregado ao produto que está sendo entregue.

Podemos usar o hemograma para exemplificar que se nada mudou no resultado do produto entregue ao cliente, e existiram avanços tecnológicos que permitem fazer o exame em maior escala, o custo de produção obrigatoriamente caiu, e o preço deveria acompanhar a queda e não subir.

O segmento da saúde continua pecando em colocar ‘no mesmo bolo’ produtos de características diferentes, e tentando reajustar tudo com um mesmo indexador, em uma época em que os indicadores financeiros também já não mandam mais na economia brasileira, como acontecia na época áurea da inflação.

Precisamos dividir os produtos da saúde em grupos:

    * Os que são entregues aos clientes (pacientes) exatamente como eram no passado – não podem sofrer reajuste ‘por tempo de serviço’;
    * Os que mudaram ao longo do tempo. Por exemplo:
          o Nos primórdios da medicina era fornecida alimentação ao paciente, hoje, além da dieta, se faz necessário o acompanhamento e avaliação nutricional. Isso tem um valor diferente e é necessário apurar os custos, calcular a margem que faz com que valha a pena continuar a produzir e definir o preço em função disso;
          o Uma boa prática, ou nova regulamentação, exige um controle mais rígido em determinado procedimento: o custo deste controle deve ser analisado e o preço relacionado deve ser reajustado para absorvê-lo;
          o Os insumos que o mercado pressiona o preço. Materiais e medicamentos cujos fornecedores elevam o preço de compra, e o aumento deve ser repassado para o preço.

Um hospital ‘vende’ em média mais de 10.000 itens diferentes, entre produtos e serviços. Só este número já e suficiente para concluir que não é ‘saudável’ pensar em reajustes do tipo ‘flat’ !

Se perguntar ao financeiro da empresa, que projeta o resultado do novo ano em uma planilha o caminho mais fácil e aplicar um índice de reajuste na receita – mas não é verdade:

    * É necessário critério para reajustar os preços, para que se tenha uma negociação comercial com as operadoras mais transparente e sólida, e para que isso não se transforme em um ‘inferno’ de recursos de glosas;
    * É mais necessário ainda reduzir os custos hospitalares de modo que se mantiver a receita o resultado seja maior.

E o que não falta em hospitais hoje em dia é oportunidade para redução de custos, principalmente na área de hotelaria hospitalar: ao longo dos últimos anos os hospitais entraram em uma concorrência baseada em itens de hotelaria que só faz prejudicar o resultado de todos.

Como repassar o custo daquela iluminação especial da recepção ? da manutenção das poltronas de luxo nos confortos ? da manutenção de equipamentos de entretenimento ?

Quanto estes itens realmente representam em relação à fidelização do cliente ninguém sabe, mas o custo da sua existência a área financeira conhece bem – então porque não começar a pensar em melhorar o resultado por ai ao invés de só pensar em aumentar o preço ?

Fonte: Saúde Business Web - 04/01/11

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