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Tabela do BC mostra que juros bancários não acompanham ritmo de queda da Selic

Brasília - Com defasagem de duas semanas, o Banco Central (BC) divulgou no último sábado (9), em sua página na internet, a tabela de juros praticados pelas instituições financeiras de 20 a 27 de abril. O período é anterior à data da terceira redução da taxa básica de juros (Selic) neste ano, que perdeu mais 1 ponto percentual no dia 29 e caiu de 11,25% para 10,25% ao ano.

É o juro básico mais baixo da história do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, criado em 1996. Essa taxa remunera os títulos públicos depositados do Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de parâmetro para o custo do dinheiro nas operações bancárias.

Apesar de a taxa Selic ter perdido 3,5 pontos percentuais de janeiro a abril, os juros nas operações bancárias não acompanharam o ritmo de queda determinado pelo Copom. Em alguns casos, eles até aumentaram, como os do cheque especial cobrados pelo Bradesco das pessoas físicas, que eram de 8,56% em março, caíram para 8,44% na primeira semana de abril, de acordo com pesquisa do Procon de São Paulo, e aumentaram para 8,58% na tabela publicada pelo BC.

A pesquisa do Procon-SP, realizada nos dias 6 e 7 de abril, detectou reduções das taxas no empréstimo pessoal e no cheque especial pelo quarto mês consecutivo. Em dezembro de 2008, a taxa média do empréstimo pessoal era de 6,25% e, no início de abril, de 5,74%, com queda de 0,51 ponto percentual. No cheque especial, a taxa média era de 9,33% e caiu para 9,03%, com queda de 0,30 ponto percentual, longe, portanto, de acompanhar a redução da Selic.

“O cheque especial é o dinheiro mais caro do mercado financeiro, e só deve pegá-lo quem não tiver outra saída”, afirma o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli, Para ter certeza disso, basta dar uma olhada na tabela do BC, que traz os juros praticados em quatro modalidades de operações com pessoas físicas e cinco com pessoas jurídicas.

A Fundação Procon-SP deve divulgar nos próximos dias os resultados da pesquisa deste mês sobre juros bancários, mas já recomenda que o consumidor fique atento às taxas de juros e não se precipite na contratação de empréstimos desnecessários. De acordo com a fundação, a tendência de queda dos juros, puxada pelo movimento dos bancos oficiais, indica a preocupação do governo em estimular a competição entre os bancos. Por isso, convém esperar, diz o Procon.

Tomando por base as dez principais instituições financeiras do país, verifica-se que o cheque especial com juros mais baixos é o da Caixa Econômica Federal, que cobra 6,28% ao mês, equivalentes a 61,27% da taxa Selic atual, de 10,25% ao ano.

O Banco do Brasil, a Nossa Caixa e o Banco Safra praticam juros do cheque especial entre 7% e 8%, enquanto as maiores instituições privadas nacionais vão além. As taxas mais altas do cheque especial são cobradas pelo ABN Amro Real (9,14%) e pelo Santander (9,26%).

O ônus que recai sobre o crédito pessoal também não é baixo, embora menos pesado que o do cheque especial. As taxas colhidas pelo BC indicam, do menor para o maior: Caixa (2,23% ao mês), BB (2,46%), Nossa Caixa (2,61%), Real (3,66%), Santander (4%), Itaú (4,50%), HSBC (4,78%), Bradesco (5,12%) e o Banco Safra (5,79%). Algumas financeiras cobram ainda mais, como a Cetelem Brasil (22%) e a Crefisa (18,99%).

Para a compra de veículos, por pessoa física, os juros são mais baixos, variando de 1,49% na Caixa a 2,56% no Banco Safra. No financiamento de bens eletroeletrônicos, as taxas vão de 1,75%, no Santander a 4,07% no HSBC. Na Caixa, os juros nesse caso são de 3,16% ao mês.

As taxas também são altas para pessoas jurídicas (empresas) – a modalidade que cobra menos é a de capital de giro com juros flutuantes, que varia de 1,19% ao mês, no ABN Amro Real, a 1,90%, no Itaú. Na de capital de giro com juros prefixados, vai de 1,95%, na Caixa até 3,37% na Nossa Caixa.

Os empresários encontram taxas semelhantes também para a aquisição de bens, com variações de 1,78%, no HSBC, a 2,77%, no Banco Safra. Os juros aumentam um pouco no desconto de duplicatas, de 2,29% no Banco do Brasil a 3,43% no Itaú; e evoluem mais ainda nas operações de conta garantida, com variações de 2,85% no Real a 8,73% ao mês no HSBC.

Fonte: Stênio Ribeiro
Agência Brasil  - 11/05/09

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