A partir de 2011, os planos de saúde poderão ter um novo cálculo para o reajuste anual. Trata-se da discussão feita pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para decidir como será essa nova metodologia de cálculo. A Agência vem discutindo o tema desde o ano passado e defende a consideração de características regionais dos mercados e eficiência das empresas.
Esse ano, foi instalada uma Câmara Técnica (CT) para o tema.A primeira reunião foi em 1° de junho, onde foi analisado o cenário atual da saúde suplementar. Chegou-se à conclusão de que há necessidade de um valor que contemple as classes de forma diferenciada e a qualidade dos serviços prestados deverá ser fator essencial na precificação. “Empresa com melhor atendimento teria um reajuste maior em relação àquela que não atingiu o mesmo padrão de eficiência.
Mas sabemos que esse cálculo é muito delicado de apurar”, reconhece o diretor-presidente da ANS, Mauricio Ceschin.O diretor de Normas e Habilitação de Produtos, Alfredo Cardoso, tem expectativa de que os membros da CT contribuam com propostas que se somem aos estudos que a ANS vem desenvolvendo. “A segunda reunião está marcada para esta semana, quando serão analisadas as propostas formuladas por seus integrantes.
Discutiremos, por exemplo, um novo cálculo de preço para os planos de saúde de idosos de maneira diferenciada, o que é interessante”, explica Cardoso. “Os modelos de atendimento não são focados nessa população. Deveriam existir programas de prevenção ou acompanhamento de patologias crônicas”, completa o presidente da ANS. Ceschin propõe, ainda, a discussão de métodos que incluam algum tipo de capitalização.
“Durante a juventude, parte do que o cliente paga financiaria o custo do plano na idade mais avançada”, finaliza.O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Procon, entidades de defesa do consumidor presentes na CT, não se posicionaram em relação às possíveis mudanças, mas se mostraram preocupados com a maneira que a ANS vem conduzindo discussões de grande impacto para o consumidor, como os reajustes de mensalidades.
Segundo informações da assessoria de Imprensa do Idec, apesar da importância, a agência não disponibilizou previamente os documentos que embasam as propostas, comprometendo a avaliação. Em junho, o Idec já havia pedido à ANS que disponibilizasse os documentos e ampliasse o debate, já que, na Câmara Técnica, só houve espaço para a apresentação das propostas do órgão, sem contra-argumentações.
Fonte: Plurall - 17/08/10